... e da verdade- A revista que você quer é a Z U P?
- É a Zupi, Z-U-P-I
- Aah, é isso mesmo. Achei a numero 8 aqui.
- Não, eu quero a 12.
- Não tem aqui não. Tem uma Zupi e tem um ZW... sei L.
- Deve ser isso ai mesmo pai, não é um W é um U. Qual o número dessa?
- 8?
- Não pai, eu quero a 12. Como é a capa?
- Uma coisa bizarra
- Mais especificamente?
- Uma coisa vermelha, com umas... casinhas.
- Não, não é essa. Não tem mais nenhuma, tem certeza?
- Não, só a 8.
- Perguntou o vendedor?
- Ele nem sabia o que era.
- Ah, então deixa.
- Achei uma 12 também, Z W L.
- Era essa que eu queria!
- Ah, então pode ser isso.
- Que tem na capa?
- Um trem estranho segurando uma lula.
- É, é isso mesmo.
PAI, Meu., MESMA, Eu. Diálogo improdutivo via celular. 2009.
A Zupi é uma revista mara. Já falei dela
aqui e
aqui, e vou falar dela de novo agorinha. Mas não antes dizer umas palavrinhas sobre um assunto que está pairando por ai (pausa dramática): A Crise.
Talvez ela não tenha batido à sua porta ainda, mas ela já fechou algumas. Demissões, empresas saindo do ramo, revistas lutando para se aguentar. Já foi confirmado: a Set foi cancelada (a menos que o
furo do Pablo se concretize). A Zupi desse mês traz também, já no seu editorial, o reflexo dos tempos:
.
“Em meio a tão comentada e avassaladora Crise Mundial, começou o ano tão esperado para que o 1º presidente afro-americano dos EUA assuma e faça o possível para resolver a situação atual... Nós da ZUPI torcemos para que isso seja possível, pois a crise já nos atingiu, trazendo grandes dificuldades para a manutenção de uma revista de nível e alta qualidade para o mundo dos artistas, desde o aumento de preços do papel e das gráficas até dificuldades na busca de apoio, anúncios e patrocinadores...”
Talvez seja natural, e não apenas reflexo da crise, que revistas deixem de existir materialmente e passem a ocupar só o universo virtual. Eu, particularmente, não gosto dessa idéia - revistas são bonitas daquele jeito delas, lá no papel. Faz parte da leitura o contato com a textura do papel, o formato da publicação, o layout específico... enfim, eu adoro revistas. E mais especificamente, eu adoro a Zupiiiii. =)
.
Nesse mês ela me encantou. A capa com seu jeito oriental não convencional (e letras que confundiram meu pai na hora de comprar a revista - última foto acima), o ensaio fotográfico de moda simplesmente fantástico, os olhos sangrentos de Vitché, a galeria de trabalhos fantásticos e... Rodolphe Simeon.

Ele disse que sim, mas ainda tenho minhas dúvidas que esse sujeito consegue, de fato, se misturar na multidão. Com obras que remetem ao sexo e à violência, ele pensa que seu trabalho pode ser talvez um espelho do que acontece na realidade. É fato, esses são temas recorrentes nas manchetes, nas conversas – e talvez no mundo. “Parece ser feito de uma maneira muito escandalosa, mas estou definitivamente bem próximo da realidade. Basta olhar as notícias de hoje”, diz Simeon.
E a obra dele dá medo. Talvez porque revela algo que todos de nós possuimos e escondemos (o que ele acredita).

Seja qual for o motivo, essa estranheza causada por suas composições mostra seu grande talento. E causa fascínio.
“M-people”. É o nome que recebem seus personagens. M da maquiagem não convencional que cobre seus modelos, ou de máscara. O artista pensa que, protegidos pela tinta, as pessoas demonstram um pouco de sua natureza, e a agressão e sexualidade são elementos básicos dessa. “Essa é a magia da maquiagem: revelar a verdade”. E a magia dele? Fazer uma arte intrigante e instigante. E disso não há dúvidas.

Para que revistas lindas, tchucas e maravilhosas não deixem de existir eu digo: em tempo de crise, compre a sua revista favorita =) [que não seja a Veja, porque essa não deve morrer nunca, for better or for worse ;)]
_______________
Artistas da 1ª imagem: